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JUVENTUDE NEGRA MARCA PRESENÇA EM DESFILE DE MAIS DE 30 AFOXÉS NO PELOURINHO

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As ruas do Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, foram tomadas nesta sexta-feira (5) por mais de 30 grupos de afoxés que desfilaram a partir das 15h, em um cortejo vibrante e ancestral que saiu do Terreiro de Jesus. A programação, que havia sido adiada devido às chuvas intensas na capital baiana, integra o projeto “Afoxé Cultura Ancestral”, iniciativa fundamental para a preservação das expressões culturais afro-baianas.

 

Entre os grupos participantes, destacou-se o Afoxé Bamboxê, que tem ganhado notoriedade por sua forte atuação ao longo dos últimos anos junto à juventude negra em Nordeste de Amaralina. Com uma proposta que alia tradição, formação política e afirmação identitária, o Bamboxê vem sendo espaço de resistência e pertencimento para jovens que encontram na cultura afro-religiosa uma via de fortalecimento coletivo. O grupo levou às ruas não apenas seus atabaques e cânticos para os orixás, mas também uma mensagem de valorização da juventude como guardiã do legado ancestral.

 

O desfile, reconhecido como Patrimônio Imaterial do Estado da Bahia desde 2010 pelo Decreto nº 12.484, reforça a relevância histórica e cultural dessas manifestações. No entanto, apesar do reconhecimento oficial, ainda não há um plano efetivo de salvaguarda implementado pelo poder público — uma lacuna que projetos como o “Afoxé Cultura Ancestral” buscam preencher, especialmente ao incluir ações educativas e expositivas.

 

Parte dessas ações está presente na mostra montada no Solar Ferrão, que expõe adereços, indumentárias e elementos simbólicos utilizados nos cortejos dos afoxés. A exposição, com entrada gratuita até o dia 21 de janeiro, celebra os 138 anos desse bem imaterial e valoriza a riqueza estética e espiritual da cultura afro-baiana.

 

O projeto é realizado pelo Grêmio Comunitário Cultural Olorum Baba Mi, com apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), que vem elaborando um plano de trabalho voltado para o fortalecimento dos afoxés enquanto agentes vivos da memória e identidade negra no estado.

 

O desfile desta sexta não apenas reafirma a importância dos afoxés na paisagem cultural baiana, como evidencia que o futuro da tradição caminha com passos jovens, conscientes e enraizados.

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